domingo, 6 de julho de 2014

Coragem Para Mudar!

           Acredito que a política dá sentido a utopia de construção da nova  sociedade, mais solidária, mais justa, que supere os diferentes contextos e estruturas sociais de opressão. Nessa perspectiva a postura radicalmente democrática requer, acima de tudo, a superação política do status de democracia formal, que assegura direitos na lei, sem garantir a concretude de direitos a grande parte dos cidadãos.

    Hoje se inicia mais um processo eleitoral, em que serão feitas escolhas, democraticamente, das pessoas que serão responsáveis na condução política do nosso país. Um sistema político que ainda reproduz políticos que exercem suas funções de forma afastada dos anseios e necessidades da população, corroboram com a manutenção dos privilégios e atuam na velha política, utilizando práticas, que favorecem a corrupção. Uma "velha" política que queremos mudar e as manifestações populares ecoam e gritam pela ineficácia do poder público, no exercício da suas funções constitucionais. #CoragemParaMudar! 
         Eu como pedagoga e psicopedagoga sou militante na luta por mais investimentos na educação e acredito que a educação pública de qualidade e a implementação de políticas públicas sociais são essenciais para diminuir a desigualdade social, que gera violência e viola o direito do cidadão.
         A aprendizagem da cidadania não pode ser reservada à sala de aula, mas resultado de um compromisso para assegurar as políticas públicas e garantir direitos à sociedade. Segundo o IBGE no Brasil ainda tem 3,6 milhões de crianças e jovens fora da escola. Desses 3,6 milhões cerca de 1 milhão  está na Bahia.
       Outra bandeira que atuo junto à sociedade é a luta das mulheres; já alcançamos muitas conquistas, embora ainda vivenciamos o histórico desrespeito, preconceito e violência, frente a narrativa machista, do poder instituído aos homens, violando nossa essencialidade humana, nossos direitos.
       Na última década 43 mil mulheres foram mortas por violência. O Brasil é o 7˚ no ranking de países, neste crime. E o 1̊ lugar em exploração sexual infanto-juvenil.
       Por não acreditar que apenas ações repressivas efetivem a mudança, mas também ações preventivas, coordeno o IMJOA- INSTITUTO MARIAS E JOANAS, que faz enfrentamento à violência sexual de crianças jovens e mulheres, realizando atividades e uma relação dialógica sobre o empoderamento e direitos das mulheres.
       Como psicopedagoga atuo na área da infância-juvenil, e a prioridade e proteção integral de crianças, adolescentes e juventude é essencial à dignidade humana. A Bahia é o estado que teve maior aumento na taxa de homicídios de jovens no país.  E esse extermínio tem cor e direção certa, são os jovens pobres e negros; consequência de uma política excludente e da grande desigualdade social que permeia nosso estado.
.      Quando pensamos em sustentabilidade, tema de grande importância, não se reduz apenas a conservar recursos naturais e a capacidade de produção e renovação dos recursos planetários, mas integrá-la a um processo de responsabilidade social que gere desenvolvimento econômico, alinhado à qualidade de vida da população, com inclusão social, acesso a educação, saúde, habitação e cultura.
        Portanto, chego à conclusão que nós, brasileiras e brasileiros, a partir da visão ético-política e jurídica dos direitos humanos temos direitos subjetivos e exigíveis, à liberdade, à dignidade, à integridade física, psíquica e moral, à educação, à saúde, à assistência social, à cultura, ao lazer, à habitação, a um meio ambiente de qualidade e outros direitos individuais indisponíveis, sociais, difusos e coletivos.
     Participar da política é um grande desafio, num momento em que políticos são tão desacreditados, mas compreendo que, junto às pessoas posso contribuir, numa construção popular e coletiva, com uma política mais justa e ética para a Bahia. Sou candidata a deputada estadual, pelo Movimento Rede Sustentabilidade, na legenda do PSB, com o número 40222.
      Sonho com um Brasil justo, sem corrupção, sem fome e sem preconceitos, em que todas as pessoas tenham acesso às mesmas oportunidades e dignidade humana. Políticos sérios e competentes são capazes de gerar políticas eficientes. Acredito na política com ética e na ética dos valores.
       Agradeço a todas e todos que confiam e apoiam minha utopia de caminhar e lutar por um mundo mais justo e solidário.




quinta-feira, 1 de maio de 2014

Novos tempos, velhas práticas!

            
Não é a consciência do homem que lhe determina o ser, mas, ao contrário, o seu ser social que lhe determina a consciência. 
(Karl Marx)


            Avante trabalhador! Hoje refleti muito sobre o mundo do trabalho e revi o filme "Tempos Modernos" de Chaplin, que retrata a mecanização do trabalho e a desconsideração do sujeito humano. Em que o trabalhador "alienado" era "mais" uma peça daquele mundo vivificado e organizado pelas máquinas.
            Li certa vez que um trabalhador dessa época, como retrata o filme, trabalhava 10 horas por dia apertando parafusos, sempre na mesma função, ia se aposentar e foi entrevistado sobre o que ele gostaria de fazer no dia após sua aposentadoria, já que durante anos viveu apenas para aquele trabalho. Nunca havia viajado ou tido tempo para lazer com a família e nem havia condições para isso, pois os trabalhadores eram explorados, com péssimos salários para longa jornada de trabalho, já que havia grande oferta de mão-de-obra querendo empregabilidade; então ele respondeu: "passei anos da minha vida apenas apertando este parafuso, não sei fazer outra coisa; amanhã, quero voltar aqui na fábrica e ir até a posição final para ver o que vai ser formado com este parafuso, nunca saí deste local".  
            O que fizeram desses seres humanos? A limitação funcional do operário causava uma alienação psicológica, pois limitava o conhecimento do operário a função, não tendo nenhuma noção da compreensão do todo. Sem contar os problemas físicos ocasionados pela excessiva repetição da mesma atividade inúmeras vezes ao dia, e ainda uma jornada exaustiva de trabalho.
            As décadas de 20 e 30 foram marcadas por lutas e manifestações pelas conquistas trabalhistas, redução de jornada de trabalho, regulamentação do trabalho feminino, greves, formação de partidos operários e participação política nas eleições.
          Apesar de tudo temos que evidenciar o que de positivo surgiu no governo Getúlio Vargas; em 1932 surge o salário mínimo. Em 1˚ de maio de 1943 Vargas assinou a - Consolidação das Leis do trabalhador- CLT. E ratifica direitos trabalhistas adquiridos por meio de muitas lutas: descanso semanal, férias remuneradas, sistema previdenciário, seguro-desemprego; o 13˚ salário, a partir de 1962 e FGTS, a partir de 1966.
            E nós mulheres, como conseguimos nos posicionar diante de um mundo estritamente machista e imposto pelo poder patriarcal? Até a década de 60 o marido podia impedir a esposa de ter um trabalho, caso considerasse que aquela atividade perturbasse as obrigações da mulher na casa. O Código Civil de 1917 dava ao "chefe da família", o homem, este poder. A Constituição Federal de 1988 institui a igualdade de direitos e deveres entre homens e mulheres. A mulher foi à luta por seus direitos trabalhistas, mas nem todo direito está na lei; direito é produzido pela sociedade, é mais amplo, formado por normas, princípios, valores, condutas sociais e hoje a luta é crescente por ocupação dos espaços de poder.
            Apesar de muitas lutas e conquistas do trabalhador, vivemos ainda uma era de grande exploração do trabalho pelo capital materializado nas diversas formas de precarização das relações do trabalho: seletividade, desigualdades, exclusão social, são consequências perceptíveis desse processo. Vide a questão das trabalhadoras domésticas, que após um ano de aprovação da lei das domésticas, ainda estão com seus direitos não regulamentados. Estima-se que, em todo o país, cerca de 4,9 milhões de trabalhadores domésticos não têm carteira de trabalho assinada. 
            E hoje como é o cenário brasileiro frente ao mundo do trabalho?  Como se vive com um salário mínimo tão baixo? Há enorme desigualdade de renda, muitas pessoas sem emprego, sem qualificação, sem formação, sem educação formal e sobram pessoas sem empregos. A economia de serviços é diferente da industrial, e assim o mercado se tornou muito flexível. Mas a lógica do conceito marxista do mais-valia permanece. O modo de produção capitalista das empresas é acumular o mais depressa, buscando maior produtividade dos trabalhadores, extrair o máximo de mais-valia de suas fábricas, em menor tempo e o trabalhador segue espoliado.
            Brasil considerado a 7ª economia do mundo pode prover melhores serviços públicos, e muitos brasileiros passam da condição de miseráveis para a classe média baixa, mas a grande chave de mudanças estruturais e de paradigmas para dar maior dignidade ao trabalhador e trabalhadora no Brasil é implementar políticas públicas na educação pública, garantindo oportunidades mais igualitárias, investindo na educação, uma luta insana da categoria e da sociedade por apenas 10% do PIB, sem muitos resultados. 
            Vivemos uma era de crise na sociedade atual, diante da degradação das condições de vida desencadeadas pelas condições inerentes ao capitalismo. O trabalho é um fator da dignidade humana, de emancipação social, negadas diante da exclusão de milhões de pessoas dos postos de trabalho formais e de condições dignas de trabalho. Ainda vivemos no mundo com trabalhos escravagistas, infantil, desumanos e ilegais, algo vergonhoso.
            Avante trabalhadoras e trabalhadores! A luta continua por espaços de trabalhos, que respeitem leis e direitos, sigamos a favor da dignidade humana!
           
Uma ideia torna-se uma força material quando ganha as massas organizadas. (Marx)





sábado, 19 de abril de 2014

Brasil, queremos mais decência!






Quanta hipocrisia no nosso país! Tantos políticos, ainda com muito poder, ameaçam nossa dignidade, nossa segurança, numa perspectiva dos paradigmas ético-políticos, desviando bilhões dos cofres públicos, roubando descaradamente o erário público, atuando em corrupção que MATA a população brasileira, e estão a viver livremente, muitos impunemente; sim, estes, deveriam estar na Papuda, em nome da Segurança Nacional, dignificando nossa luta transformadora e emancipatória pelos Direitos e por uma Nova Política!
Estes, prejudicam a implementação de políticas públicas nas áreas fundamentais como educação, saúde, moradia, cultura, mobilidade urbana, aprofundando as péssimas condições de vida de muit@s brasileir@s, população integrante de grupos vulnerabilizados, negligenciados, discriminados, explorados, com seus direitos massiva e sistematicamente ameaçados e violados, os que vivem à margem da sociedade.
Queremos apenas fortalecer nosso Estado Democrático de Direito, em que os governantes, o legislativo e o judiciário dignifiquem nosso Brasil, dignifiquem a política de luta da classe trabalhadora, tão sofrida e explorada. 

Uma sociedade e um estado respeitadores das normas e leis a eles sujeitos, precisam de homens e mulheres responsáveis e de bons exemplos.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Celebrando a Vida!

Viva as baleias, viva a vida!

O governo japonês cancelou a caça às baleias! Finalmente! Há mais de um século elas são caçadas para o mercado de carne!

Em 1989, o Greenpeace enviou uma expedição para Oceano Antártico, desde então vem trabalhando para que o governo se opusesse aos subsídios que mantinham o mercado de carne de baleias em pé.

Atualmente o mercado vive um colapso e cargas com a carne do animal permanecem encalhadas nos portos uma vez que há poucos consumidores. O apelo mundial para o fim do comércio foi um dos principais fatores para desencadear a crise. 

A luta continua para acabar de uma vez por todas com a indústria baleeira na Noruega, na Islândia e no norte do Pacífico: façamos a nossa parte, protestando e juntos venceremos.  

Fonte: http://www.greenpeace.org/brasil/pt/Blog/ponto-para-as-baleias/blog/48804/

sexta-feira, 28 de março de 2014

A liberdade aprisionada aos 18 anos!




                        Era uma vez.....
            Esta é uma estória real de um cidadão militante, que vivenciou momentos desalentadores, crueis e sanguinários no Brasil, durante a ditadura militar! A população mais jovem precisa saber, que nos anos 60 e 70 golpes militares iniciaram ciclos de ditadura na América Latina; e no Brasil houve o golpe militar, que depôs o presidente eleito pelo povo, João Goulart, e muitas pessoas foram torturadas, desaparecidas (até hoje) e assassinadas; hoje temos uma Comissão da Verdade, mas muita coisa está velada e fechada com muitas chaves, ainda.
            Em 1964, na cidade de Belo Horizonte, um jipe do Exército estaciona na porta da casa dos meus avós, Divaldo e Glória, pais da minha mãe, descem dois homens armados em trajes civis, adentram a casa, a procura do Gilney, meu tio; apenas meu avó estava em casa, e muito assustado, diz que ele se encontrava no trabalho, no Banco de Desenvolvimento, sem saber o que estaria por vir. Lá foram eles determinados, até o 22˚ andar do banco, na busca de mais um militante, estudante, idealista, que incomodou o sistema por expressar sua insatisfação e lutar contra o momento político de repressão, de um regime militar.
            No dia 30 de abril de 1964 Gilney foi preso, um jovem de 18 anos, no seu local de trabalho, iniciando uma trajetória de momentos sofridos, inesperados e assustadores, para toda a família e para o país inteiro, pois muitos jovens faziam parte desta luta, e a incerteza de quem voltaria pra casa.
            Foi preso e passou a noite onde estava o QG da repressão. Já no primeiro dia, fizeram um terror psicológico, com ameaças de fuzilamento e antes do interrogatório sofreu violência física, socos e pontapés. No outro dia foi encaminhado ao DOPS.
            Logo que a família soube onde se encontrava Gilney, meus avós foram ao DOPS, abraçá-lo, esse era o desejo de toda a família, protegê-lo. Lá, de frente ao delegado Tharcy Sia, este foi logo dizendo: "Seu filho é comunista, por isso está preso. E diga a ele para colaborar." E a visita foi apenas de 10 minutos. Meu avô, mesmo discordando das idéias do filho, ali estava emocionado, nada falava, e minha avó com muitas perguntas, queria saber como estava sendo tratado e saíram dali certos que estariam sempre ao lado do filho e lutariam por sua liberdade. E a luta da chamada "mãe do preso político" iniciou, sem minha avó ter noção do que vinha pela frente.
            Logo foi transferido para uma Penitenciária, em Neves, afastada de Belo Horizonte, que havia sido inaugurada recentemente por estudantes, sindicalistas, intelectuais, pessoas das Ligas Camponesas, dos Grupos de 11, comunistas e todos que eram considerados subversivos, porque eram opositores políticos aos generais.
            Na luta diária da família pela soltura do Gilney foi concedido uma prisão domiciliar, sob o compromisso de não viajar. Assim ele pode retornar aos estudos e trabalho. Inicia o curso de medicina em 1966, mas foi  expulso do curso de medicina da UFMG, pelo decreto 477 e a luta política continuou.
            Tempos difíceis (1967/69) no governo de Costa e Silva, que institucionaliza o AI-5, que permitia que líderes contrários ao regime fossem perseguidos, torturados e presos sem a necessidade de uma intervenção judicial. Além do mais, os presos políticos não tinham direito ao recurso do habeas corpus, fazendo com que as liberdades individuais e direitos constitucionais fossem suspensos. Uma ditadura que elimina a tentativa de liberdades públicas e democráticas.
            Ao contrário do que a família queria acreditar, a participação de Gilney nos campos da luta política não cessou e era cada dia mais intensa, nos movimentos de luta, passeatas e ele sabia que a qualquer momento poderia ser preso ou morto. Naquele momento sua vida representava a luta pelo país, pela democracia, pela liberdade de expressão e justiça social; maior que a sua vida e a da família.
            A casa caiu para meus avós, quando, no dia 21 de março de 1969, foram surpreendidos com o noticiário da TV, acusando Gilney de assalto e tentativas de homicídio. Não durou muito, os policiais adentraram a casa de meus avós, mais uma vez, e logo após o pessoal do exército, do DOPS e da polícia militar, e promoveram uma verdadeira ocupação; ou seja, reinicia a temporada de busca do Gilney e de tortura e tormento à vida familiar. O último dia que Gilney esteve em casa fora o dia 19 de março. Ainda em Belo Horizonte enviou um bilhete à família, dizendo que estava bem de saúde e justificando sua luta armada. Explicou o ocorrido, que ele não havia sido o agente direto e que o acontecido havia sido um acidente.
            No final de 1969, a família recebeu uma carta do Gilney e a felicidade foi geral, por saber que ele estava vivo. Nesta carta ele fazia também referências a nós, sobrinhos e sobrinhas, enviando-nos beijos e abraços. Tamanha sensibilidade e amor em pensar em todos nós, com tantos problemas e preocupações na sua mente. Ainda muito crianças participávamos também, com sofrimento, desse episódio, que durou muitos anos. Era uma carta cheia de dor (pelos amigos mortos), também resignação e perseverança. A dor era grande pela repressão política e principalmente, pela morte do Marighella, em 04 de novembro de 1969.
            Da dor, não só pelo filho, mas do país inteiro, nasce a resignação e  compreensão da minha avó Glória, uma guerreira, que não estava sozinha na luta, se juntando ao movimento de solidariedade dos familiares de presos políticos e assim esteve acompanhando as prisões em Ilha Grande, Milton Dias Moreira, no RJ; Penitenciária de Juiz de Fora; o DOPS, a penitenciária feminina de BH; além dos tribunais militares, quarteis do exército, em MG. 
            Gilney foi levado ao Doi-Cod/RJ, depois no Dops/RJ, passou para o Presídio Provisório, uma tortura psicológica, além da tortura física, de todas as formas. Quando meus avós chegaram ao Rio de Janeiro para visitá-lo, já havia sido transferido para o presídio da Ilha Grande. E assim seguiram ao encontro de Gilney, persistentes. Na Ilha, Gilney conheceu o Gabeira, que estava entre os 20 presos políticos transferidos, que o ajudou na indicação de uma advogada.
            Logo Gilney foi transferido para Juiz de Fora. Essa era uma estratégia, não permanecer muito tempo em um local. Eles deixavam minha família louca, sem saber do paradeiro de meu tio. Quando chegaram ao RJ, para mais uma visita, ficaram sabendo que ele não se encontrava mais no presídio da Ilha Grande.
            Foram quase 10 anos de prisão, dentre estes, ficou preso 7 anos em Juiz de Fora (Linhares). Lá era um presídio civil sob administração militar. O exército não permitia leitura, inicialmente. Meu tio, todas as semanas escrevia uma carta pra meus avós, queria livros, queria receber cartas, precisava ler para se sentir vivo! Alguns dos presos em Linhares foram enviados ao exílio em troca da liberdade do embaixador alemão. Gilney não estava na lista. Um certo dia fui com minha mãe e minha avó visitá-lo e lá o vi por uma portinhola, um quadrado pequeno, que víamos apenas o seu rosto, tendo que minha mãe levantar-me. Saí assustada.
            Em 1971 as coisas ficaram mais complicadas. Eles fizeram uma greve de fome, por melhores condições carcerárias, contemplando também outros companheiros e companheiras de luta, em outros presídios. Em setembro, as visitas foram suspensas, pois o QG acusou os presos políticos de tentativa de motim. O Exército tinha Gilney como chefe da Corrente da Ação Libertadora Nacional (ALN), assim ele ficou segregado de outros presos políticos. Como era de se esperar foi um dos primeiros da lista para ser mais uma vez transferido para o Presídio Político do Rio de Janeiro.
            Meu avô desencarnou em 1973. Gilney compareceu ao enterro acompanhado de 4 policiais armados. Sem muito tempo, abraçou e beijou minha avó, sem dizer palavras, com muitas lágrimas escorrendo pelo rosto e foi embora.
            Enfim, no dia 21 de dezembro de 1979 Gilney saiu do cárcere político, sob liberdade condicional, diante de muitos entraves burocráticos. Saiu trazendo marcas indeléveis de torturas, humilhações, ameaças, punições, a dor pelos companheiros e companheiras desaparecidos e mortos, mas trazia também a força e coragem da luta digna, por uma Nação livre de repressão, pelos direitos fundantes de liberdade de expressão e ir e vir e por um Estado Democrático de Direito.
            Voltou a estudar apenas em 1980, quando a escola de medicina da Universidade Federal de Minas Gerais lhe restituiu o direito à matrícula. Foi morar em Belo Horizonte com sua companheira Iara, e viveu dias difíceis, em todos os sentidos, principalmente financeiro, sobrevivendo da produção e venda de artesanato, que  aprendera na prisão.
            Gilney respondeu a dez processos e só em 1985 terminou sua condenação. Mudou-se para Cuiabá e continuou sua luta política no PT, se tornando professor da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), deputado federal (1995-1998) e estadual (1999-2002) pelo PT, do Mato Grosso.
            Entre 2003 e 2007 foi o secretário de políticas para o Desenvolvimento Sustentável do Ministério do Meio Ambiente (MMA) ao lado da ministra Marina Silva.
            Hoje, Gilney é responsável pelo projeto de Direito à Memória e à Verdade da Secretaria Nacional dos Direitos Humanos e atua incansavelmente como coordenador, na luta pela formação dos comitês pela verdade nos estados. A Comissão da Verdade prevê 27 ações programáticas e o eixo número seis trata especificamente do direito à memória e à verdade em relação às crimes políticos como mortes, tortura e desaparecimentos.

            Impossível esquecer! Queremos nossas memórias nos livros!

sábado, 8 de março de 2014

Mulher- de ser Feliz!

Mulher, escrava, submissa!
Quem continua a sê-la?
Mulher, menina, um dia,
Mulher de qualquer jeito!
Esposa, amante, mãe, avante!
Mulher, seu ventre pulsa pela vida,
Seu peito alimenta e vibra!
Tem medo, mas por que tanta violência?
Tá viva? Levante! Não omita o grito surdo, que te oprime. Grite!
Abra a porta fechada e saia.
Não queira o que não quer!
Mulher, sem medo, forte, guerreira, em todo mundo!
Batom, sandália, óculos e sorrisos!
Onde trabalha? Quanto ganha?
Queira mais, você é capaz!
Mulher, sempre de muito valor!
Se ame antes de ser amada.
Sua vida é sua história e,
seu destino lhe pertence.
Qual o problema? Vá a luta pela vida!
Encontrará as saídas!
Parabéns Mulher, sempre!
Você é a força viva de cada dia!

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

SALVADOR, EM PROCESSO DE HUMANIZAÇÃO?

          Consultar pesquisas é sempre interessante, principalmente quando realizadas por institutos que gozam da credibilidade da opinião pública, como o Vox Populi e Datafolha. Na última pesquisa, (jan/2014), na avaliação dos gestores municipais, realizada pelo Vox Populi, no topo dos mais bem avaliados do Brasil, aparece o gestor de Salvador, ACM Neto, com 51% de aprovação entre bom e ótimo. E para não deixar de lembrar do prefeito anterior João Henrique Carneiro, este também já atingiu a posição do extremo, só que numa posição oposta, o último lugar em um ranking de avaliação dos prefeitos de sete capitais brasileiras, divulgado pelo instituto de pesquisas Datafolha, em 2007.
          Salvador é uma cidade linda, cheia de magias, visitada por grande parte dos turistas do mundo inteiro, pelas suas belezas naturais e encantos, com construções belíssimas, que fazem parte do patrimônio histórico do país, mas também apresenta cenários de muitas mazelas. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicou em 2012, que Salvador é a terceira cidade mais populosa e a quarta mais violenta do país, desde 2000, um contexto social marcado por grandes desigualdades sociais. 
          Quando refletimos sobre as atribuições e funções da figura política de um prefeito, é imprescindível sua responsabilidade e compromisso na implementação de políticas públicas sociais, de saúde, educação, habitação, cultura, entre outros fatores pertinentes ao bem-estar e qualidade de vida da população.
          A administração de Salvador, aparentemente, vem empreendendo a gestão da coisa pública, tem demonstrado maior disponibilidade de qualificação no controle do erário, responsabilidade no seu planejamento e concretização de obras, evidenciando a transparência pública.
          Surge um cenário de novas perspectivas, nova administração pública, mas, que não pode se furtar a necessidade de exercer o diálogo com os setores sociais, a classe trabalhadora e comunidades, de forma a analisar a conjuntura mais democrática. Ou seja, não tem como promover direitos, sem uma reflexão coletiva, que procure descrever o contexto social e político de Salvador.
Viva Salvador!

sábado, 28 de dezembro de 2013

Escrevemos nossa história a cada momento.....




A chegada de 2014 me traz muita esperança e me impulsiona a continuar nas lutas, avançando sempre na conquista das metas, dando continuidade a escrita da minha história.....

A maior conquista de 2013: multidões de brasileir@s alcançaram as ruas, no clamor das vozes, que se calaram por tanto tempo: "queremos mudanças"!! Tantas demandas reprimidas e violações de direitos, por governos, que não representam o povo, a classe trabalhadora, aviltando a essência humana, nos paradigmas do campo ético-político.

O Brasil não melhorou seus índices de saúde, educação e renda e ainda piorou os dados relacionados à pobreza e desigualdade de gênero. Por conta disso, o Brasil recua novamente para a 15ª posição em relação às 20 maiores economias do mundo.

Um país que, segundo pesquisa do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, tem 5,3 milhões de jovens de 18 a 25 anos, 19,5% da população brasileira, que não estuda nem trabalha, a chamada geração Nem Nem. E a maioria é de mulheres negras, pardas e indígenas. E o mais perverso é o fato de que grande parte dessas pessoas abandonam a escola, porque não têm a perspectiva de chegar ao ensino superior. Segundo o IBGE, o maior motivo do abandono ainda é a gravidez precoce. Cadê a implementação de políticas públicas como prevenção da gravidez precoce e indesejada dessas jovens?

O reconhecimento e a garantia dos direitos e da Proteção Integral de Crianças e Adolescentes passam a ser um grande aliado na grande luta ético-política, atualmente. O Brasil ainda apresenta um índice ainda muito baixo de crianças que frequentam a educação infantil. Mais um dado alarmante da UNICEF: 450 mil crianças no nosso semiárido nordestino frequentam escolas sem banheiro. Uma grande mazela o saneamento básico no Brasil! Todas as crianças e os adolescentes precisam de promoção e proteção de seus direitos fundamentais, em sua integralidade.

Mas hoje, no mundo e no Brasil, já vivemos um momento importante, em que a sociedade  é protagonista de um processo de fortalecimento de sua identidade, com uma maior visão social de mundo, e caminha com maior reconhecimento dos direitos humanos. A luta segue firme!

Quero agora me reportar a minha vida pessoal: este ano foi essencialmente especial: no que tange a política, a construção e organização da # Rede Sustentabilidade, foi algo inovador, que nos fez sonhar numa perspectiva de tornar real o debate sobre a condução da política em novos paradigmas conceituais e programáticos, uma Nova Política.

Meus agradecimentos a meu querido amigo Luiz Bassuma. Estivemos juntos 33 anos, muitas alegrias e o quanto aprendi e cresci ao seu lado, minha gratidão por esses anos de amor e amizade. Hoje estamos separados, mas minha amizade por ti é eterna. Estaremos trilhando na luta  por um Brasil justo, pois tu és um homem honrado e digno de toda a felicidade.

Meus filhos, João Luiz, Caroline e Vinícius, meus amores eternos, lembro-me de cada momento de cada chegada de vocês no meu ventre, a alegria do retorno a mais uma reencarnação neste Planeta que nos acolhe com tanta gratidão do nosso Pai Maior, amo vocês. A minha felicidade ainda maior com a presença da Malu, minha netinha saudável e inteligente;  agradeço também ao meu genro, pessoa muito prestativa!

A minha mãe e irmãos, sempre o agradecimento e alegria de fazer parte de uma família grande, barulhenta, unida, que nos amamos muito.

Aos amigos, digo, como é bom ter amigos, meu agradecimento pela confiança e amizade! Cada um de vocês é importante pra mim.

Ao meu Brasil, meu desejo de ser merecedor de ter gestores (as) mais responsáveis e íntegr@s, para efetivar a implementação de políticas públicas mais eficazes, como direito básico e fundamental de cada brasileir@. Por um Brasil sem corrupção, comprometido com a sustentabilidade política, social, econômica e ambiental.

A Deus, meu agradecimento por tantas dádivas, tantas oportunidades que recebo a cada instante.

Um 2014 com muitas realizações, e, a felicidade está em cada momento, mesmo nos pequenos momentos!

Beijos no coração!
               
VIVA 2014!


terça-feira, 8 de outubro de 2013

Viva as crianças- crianças vivas!

     Crianças como sujeitos de direitos: a partir da Constituição Federal de 1988, crianças e adolescentes foram reconhecidos na condição de sujeitos de direitos e não meros objetos de intervenção no mundo adulto. O Estatuto da Criança e do Adolescente, ECA, (Lei Federal nº 8.069, de 13/07/90) reforça a proteção integral às crianças e adolescentes, seres humanos, em peculiar condição de desenvolvimento.
    A partir dessas prerrogativas  são assegurados às crianças os direitos fundamentais, físico, mental, moral e espiritual, que não podem ser violados. Porém, apesar de avanço das leis, ainda estamos a perguntar, qual é o paradigma ético da prevalência do superior interesse da prioridade absoluta das crianças, na prática?
     Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2012, no Brasil, 3,5 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos trabalhavam e na faixa de 5 a 9 anos, 81 mil crianças trabalhavam, indicou a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). Segundo a UNICEF, aproximadamente uma em cada quatro crianças de 4 a 6 anos estão fora da escola, por que não há creches públicas, consequentemente, 64% das crianças pobres não vão à escola durante a primeira infância. E cerca de 60 mil crianças com menos de 1 ano são desnutridas, comprometendo seu desenvolvimento físico e mental. Onde está a garantia dos direitos da criança à vida, à sobrevivência, ao desenvolvimento, à dignidade  e à integridade física?
     Embora portadoras de direitos, as crianças são especialmente vulneráveis às violações desses direitos, à pobreza e à iniquidade no País. Por exemplo, ainda segundo a UNICEF, 29% da população vive em famílias pobres, mas, entre as crianças, esse número chega a 45,6%. As crianças negras, por exemplo, têm quase 70% mais chance de viver na pobreza do que as brancas; o mesmo pode ser observado para as crianças que vivem em áreas rurais. Na região do Semiárido, onde vivem 13 milhões de crianças, mais de 70% das crianças e dos adolescentes são classificados como pobres. Essas iniquidades são o maior obstáculo para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) por parte do País. E as violências sexuais que passam nossas crianças? Elas têm sofrido atos de violência por parte de adultos, como não eram registrados há séculos. Agora que a escala e o impacto de todas as formas de violência contra crianças estão se tornando mais conhecidos, as crianças devem ter meios de prevenção e proteção, de forma mais eficaz, vinculada ao sistema de garantia de direitos.
     Políticas públicas que coloquem em primeiro plano a melhoria de vida de crianças e adolescentes são essenciais para empreender transformações sociais. O Estado é omisso em políticas de garantia de promoção e proteção dos direitos, de vida, de saúde, de moradia e de educação. É lícito o Estado intervir quando crianças têm um direito ameaçado, violado e constrangido no exercício dos seus direitos, mas ainda há uma distância enorme no que diz a Lei e sua exequibilidade como política pública, numa perspectiva de garantia dos direitos, pois como apresentam as estatísticas, há um indicador de negligência das instituições públicas, no comprometimento por uma infância com base em valores e no rigor das leis.  

Fontes: